Comércio exterior fecha 2026 com recorde e mira o trilhão em 2027
Updated: Aug 27
Dois números resumem o ano: de um lado, o Brasil caminha para fechar 2026 com exportação recorde. De outro, uma nova rodada de tarifas dos Estados Unidos reacende a discussão sobre depender de um único mercado. Nenhum dos dois conta a história sozinho, e é na leitura conjunta que está o que realmente importa para quem exporta ou importa hoje.
O ano que fecha em recorde
A expectativa é que as exportações brasileiras somem cerca de US$ 364,2 bilhões em 2026, alta de 4,6% sobre o ano anterior — puxadas principalmente pela demanda asiática. O superávit comercial deve ficar entre US$ 70 e 90 bilhões, e o câmbio projetado em até R$ 5,50 favorece a competitividade do produto brasileiro lá fora, ainda que encareça a importação de insumos. Do lado monetário, a Selic deve recuar para 12,25% até o fim do ano, o que tende a destravar investimento nos próximos meses.
São números de um país que ganhou fôlego mesmo num ano de instabilidade externa.
O outro lado do gráfico: a tarifa dos EUA
Em julho de 2026, o governo americano confirmou uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, seguida de uma sobretaxa adicional de 12,5%, elevando a tarifa efetiva de diversos itens para 37,5%. A medida atinge principalmente commodities e produtos industrializados em que o Brasil tem posição relevante, como aço, alumínio, café e calçados.
Para quem exporta esses produtos, o efeito prático é imediato: contratos revisados, margem apertada, e a necessidade de repensar para onde a carga vai.
O comércio mundial resistiu mais do que se esperava
Vale um contraponto: apesar da guerra tarifária, o volume global de comércio não desabou como muitos previam no início de 2025. A Organização Mundial do Comércio revisou sua própria projeção de uma queda de 0,2% para um crescimento de 2,4% no volume de mercadorias, puxado em parte por estoques antecipados e pelo comércio ligado a novas tecnologias.
Isso não neutraliza o impacto da tarifa sobre setores específicos, mas mostra que o cenário é mais dinâmico do que uma manchete isolada sugere.
Diversificar deixou de ser plano B
É nesse contexto que a meta da ApexBrasil ganha peso: a projeção é fechar 2027 com uma corrente de comércio de US$ 1 trilhão, resultado que depende diretamente de diversificação, mercado, produto exportado e de origem dentro do próprio Brasil. Menos dependência de um único parceiro comercial, mais rotas, mais setores gerando divisa.
Não é uma reação de pânico à tarifa do momento. É estratégia de margem no médio prazo.
O que isso significa na prática
Para quem já exporta: vale revisar a concentração de mercado e simular o efeito da tarifa antes que ela apareça no fechamento do mês. Para quem está entrando agora no comércio exterior: o momento favorece quem começa já pensando em mais de uma rota, em vez de apostar tudo em um destino só.
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